1 Queen Of The Crime Council - Kill Bill

domingo, 12 de janeiro de 2014

Ela só gostava de ti.
Gostava também de te dizer isto. E de que tu gostasses dela.

Depois de tanto tempo, e acontecimento, quando ela finalmente te reviu sentiu que
"Foi".
Foi melhor e pior do que pensara.
Não se fora no entanto o seu sentimento, nem as borboletas partiram.

Chorou. Como durante muito tempo. Por não ter estado ao lado, por não estar ao teu lado, mas acima de tudo porque tu não a querias. Não a querias de todo, nem em lado algum.

Sentiu e sente uma compulsão de coisas a cada atitude tua. 
Ela julgara-te. Julgava-te pelas tuas atitudes. Porque tu para ela ora eras perfeito, ora te demonstravas um perfeito idiota. Mas ela sabia que tu sempre serias perfeito. Para a tua pessoa. Aquela que para ti era "a" perfeita. E essa pessoa não era ela. Ela era quanto muito uma miúda impecável. Mas não, nem nunca, a tua miúda.
No fundo ela sabia que nunca se tratara dela mas sim de ti. Da tua cabeça, mas acima de tudo, do teu coração. Quanto a ela, o coração e cabeça dela estariam sempre, para sempre, contigo. Assim tu a quisesses.
Ela, cada parte do seu corpo, incluindo a sua cabeça e o seu coração, podiam pertencer-te. Assim também tu te entregasses. Ela entregar-se-ia toda. Assumiria o compromisso. Sem véu, nem grinalda. Perante ti e o mundo.
Digo isto porque sei que ela quer viajar. E a seu tempo, queria fazê-lo contigo. Tu eras para ela o companheiro de viagem, fosse qual fosse o destino.
Ela sentia-se agora "in media res", a meio da viagem. Sentia que a sua vida estava como o início da maior epopeia marítima. Assim começara este novo ano para ela, que também ela quer maior e extraordinário.
Encontrava-se a meio de um estágio. A meio ano de te ver. Disseste-lhe que voltavas em junho. Mas no fundo ela sabia que o "olá" ocorreria na mesma medida do "adeus"... nunca acontecera.
Com o passar do tempo ela sentia-se também mais crescida. Mas não emocionalmente. É uma miúda. Com tudo, menos contigo. Era contigo com quem ela sonhava e com quem ela pensara que podia crescer. Sinto que o podia ter feito contigo.
Eras tu, que pelo saber da tua experiência a ias obrigar (no melhor dos sentidos) a encaminhar por um caminho para ela desconhecido. Ela era muito velha para ser tão tímida no que tocara ao amor. Não se intimidava em lhe/te/se tocar, mas não gostava de tocar no assunto. E agora queria partilhá-lo. Partilhá-lo não só contigo mas com a família.
Ela não só gosta de ti, como da tua família. Também ela queria ser parte dela. E tu farias parte da minha. És tão maluco, tão divertido e tão especial como todos eles. E tenho pena que as paredes, os muros e as barreiras que erguemos não nos permitam explorar isso. Não somos mais divertidos, nem malucos. Não desatamos a cantar no meio da rua, não ficamos aos beijos num carro, não fazemos sumos explosivos de fruta.|
Fizeste-me feliz. Nos pequenos e poucos momentos. Entre beijos, comida, mensagens e risos.
Punhas-me com aquele sorriso. Só tu me provocaste aquele sorriso e aquela felicidade. Por isso eu e os meus gostámos tanto de ti. E continuaríamos a gostar assim o sorriso perdurasse.
Não perdurou. Porque eu não te fazia sorrir da mesma forma. Porque só eu me gostava de ver reflectida no teu olhar. Tanto, que às vezes ficava envergonhada e embaraçada só de olhar para ti. Era tanta paixão.

É assim que ela pensa em vós. Pensa na magia daquele segundo encontro. Na paixão, na saliva, nos olhos emocionados. Lembra-se do que falaram. No que queriam e onde estariam em janeiro ou fevereiro daquele que ainda era o próximo ano. Não tinham planos conjuntos. Tu não estarias cá.
Tu não estás cá.
E ela agora, por agora, porque nunca soube o amanhã, está em Lisboa. Lisboa. A sua maior paixão, o seu grande amor. É ela quem a acolhe, quem a recebe, quem a deixa desfilar.
Mas foi ao ver-te ali, e à distância, que ela sentiu em si o que tu és. Um turbilhão.
Ela já sabia, mas foi naquele momento que teve a certeza. Ela gostava de ti. Ela gosta de ti. Com toda a sua preocupação e falta de jeito.
Gosto.
De ti.
Gostar. Nada de mais.
Mas gosta muito, tanto. Tanto ao ponto de não saber o que fazer. De não saber o que te dizer.
Ela que era conhecida pela arte de bem falar já não o fazia. Primeiro deixou o bem. Depois perdeu a fala.
Ela só queria (o) olhar. Olhar nos teus olhos. Olhar e tocar (n)a tua pele. Contemplar-te e aconchegar-se a ti. Estar no aconchego e no calor do teu colo, dos teus braços. Na ponta da tua língua. Entre estes ou esses lençóis. Sentir. Sentir-te. O teu cheiro, os nossos beijos, tudo entre o aconchego das nossas almofadas.
Queria estar agarrada a ti, e agora sei que o faria.
Aqui,
aí, 

ou na China.
Ela nunca percebera o que acontecera. Como acontecera. Só que era bom estar com ele. Que ele lhe fazia bem. Que ele era bom. E embora nem sempre tivesse tido a melhor atitude com aquela miúda (é neste momento que ela pensa no arrependimento que ele sente pelo início de tudo), e ele próprio o reconhecesse e lho dissesse. Ela, também por omissão dele, não conseguia apontar os momentos em que ele agira mal consigo. Ele tinha atitudes ora de ausência, ora de indiferença, ora de criança. Deixava-a pendurada, e perturbada. Não a acarinhava da forma que (ela) queria. Mas ele não fazia mais do que simplesmente não gostar dela.
Ela não se admira que ele fuja. Ela própria fugiria.

Ela lia e ouvia as palavras dele. E esperava nos silêncios. Entre a sua ausência, e dos pedidos de desculpa que também nunca chegaram, pensava no amor. Naquele que podia sentir por ele, naquele que queria que ele um dia sentisse por ela. Mas que não sentiam. Porque também ele, o coração bom de leão, tinha o coração ferido pela sua própria luta na selva do amor. E ela, com o seu jeito disparatado, acha também descabida e disparatada a maneira como gosta dele. Mas gosta. E gosta tanto.
E reconhece-se e revê-se tanto em cada canto daquele corpo.
Até parece que é mais de corpo. Mas o que ela sente vem-lhe da alma. É a alma, a aura dele. A pele que há nele e que há nela.
É carnal, é natural, é instintivo. É.

Foi.|

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